Lu Genez – [Se quer a normalidade padrão]

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Lu Genez


Se quer a normalidade padrão, amornada, mediana e pálida,
Mas se fica preso nas bordas exteriores, nos limites da fala,
Na vala suja, no concreto, no verbo e na sarjeta.
Nos lados opostos, nas esquinas a direita ou a esquerda,
Só para se discutir velhos vernáculos sujos.
Não é o pão que tem seu propósito a boca, é a fome e os dentes.

Ao fundo dos infernos e no alto das nuvens messiânicas de paz,
Um espaço de naufrágios e labirintos, de rodas e intervalos de acontecimentos,
Entre o dia e a noite, um ocaso determinado e as esperas de êxtase.

Nas mentiras das mordeduras e da pele sob um sol quente.
Tentando disfarçar ardências e desejos, só para não dizer sim,
Ao régio da aparência de um lençol de linho branco,
E não sucumbir ao ato, ao fato do falo, ao gozo.

Se quer a pele serena, só que ela arde.

11.01.22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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