Lu Genez [Que se tenha piedade da carne diante dos caninos sujos]

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Lu Genez


Que se tenha piedade da carne diante dos caninos sujos
Que assombram o manchado da noite, que contam mentiras, que escorrem veneno,
que necrosam a pele, que na ferida pútrida, se fartam as moscas.

e ao banquete macabro, os fantasmas das cores indigestas riem às gargalhadas,
da inocência vil de nossos olhos, do que se reza ao silêncio e se perde nos espelhos.

Enquanto se valhem das negociatas, das malas cheias, das burras de dinheiro, e das canetas das togas negras.
Enquanto tudo o que se fala é proibido, enquanto a mordaça se estende por sobre os lábios dos dissidentes, enquanto tudo é nefasto e nojento sobre esse chão.

Que se tenha piedade dessa gente sem nome, que de sol a sol, se estende a lida, que vira couro, que se usa para o sapato, que se pisa sem dor aos ossos, que serve aos dentes dos abutres.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

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