Lu Genez – [Quantas bodas são necessárias ao hábito, ao óbito?]

Lu Genez


Quantas bodas são necessárias ao hábito, ao óbito?
Aos aniversários das mãos dadas ao nosso conformismo
O que já nos matou uma parte do riso.
É sombra,
E vai para a cama, e dorme, e acorda
e teima em compartilhar o café da manhã
Que já nem se sabe mais, o gosto que se tem,
Quando tudo parece um requentado de quinta.
Não é o que importa, o sabor que vem ao lábio,
Desde que se consiga engolir.


Tudo é tão pouco para sair
Tanto é tão pouco para ficar.
Entre o céu e o inferno, um solo danoso,
para se continuar o piso.
Quando foi que viramos os bonecos do bolo,
Duas figuras engraçadinhas de enfeite,
Inertes, estáticas, presas uma à outra
e ao macio do desconforto.
Pão de ló também afunda.

O calendário marca um dia,
Sempre é tarde demais, quando os olhos não se encontram.
Talvez a névoa do chuveiro, tenha embaçado o espelho
Nenhuma verdade, cai bem ao amanhecer.
O morno do dia faz regalia e cócegas inúteis
Afinal a tv espanta o senso das coisas
O espetáculo segue o script.

Amanhã, nem é um novo começo
Acabamos hoje, nas esperas da covardia.

Set\2020

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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