Lu Genez [Quando o rastro dos dentes destroça a carne]

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Lu Genez


Quando o rastro dos dentes destroça a carne, a come crua, viola paredes, espalha indiferente o pútrido ar da carnificina sobre os dois lados do muro, independente do lugar em que os demônios vivam, é dia de noite escura, de limbo, do inaceitável sobre a terra.
Só o zunido das moscas, são de normalidade aparente, enquanto todo o resto, grita sua inumanidade.

o sangue escorrega
l e n t a m e n t e
Em viés de fala ilegítima, em mentira de carta marcada, em história mal contada.
Os demônios bailam, dançam heresias , mostram seus dentes podres, enquanto, os pulhas aplaudem a matança.

Abaixo das solas dos pés desalmados, a mancha se encarrega de correr livre ao sol de um dia de domingo.
Nenhuma água é alívio, não segue ilesa ao mar.

Arranquem as arcadas dentárias, inibam o dia de nascer, afugentem os párias, lhe cortem os dedos, antes que medo tome para si, as nuvens,
Antes que se desfaçam os laços e cordas, antes que o primeiro bebê morra, antes que percamos a fé.

Não se justificam os caninos e o inferno.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

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