Lu Genez – [Qual a dor que te apresentou ao primeiro demônio]

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Lu Genez


Qual a dor que te apresentou ao primeiro demônio,
Invocado ao remoto da garganta, num grunhido desprezível aos ocos ouvidos surdos
A oração de salvamento, no breu sem velas, de silêncio e abandono.
Paredes de concreto não amansam os dentes.

passos na densa mata negra, no fim do perdido, no pedido de fim,
pântano, inferno, fome, fuligem, o outro lado da porta
A caminhada decadente e a casa vazia, o corpo sujo estendido sobre o frio do chão que não abraça.

De que dor, a cólera e a repulsa nasceram?
Que não te deixam ver espelhos, nem as catedrais da antiguidade
Quais foram as células fecundas, o embrião alimentado?
Só o escuro conhece o viés das respostas, das verdades e mentiras.

O rompimento da placenta, o desligamento do cordão
A apresentação de seus pés frágeis ao mundo
A pele rasgada, o osso pontiagudo, o corte profundo, o sangue e o final.

Se emendam as noites entre os dias.

05.03.22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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