Lu Genez – [Procuro uma casa que me acolha ao colo]

Lu Genez


Procuro uma casa que me acolha ao colo
Que me leve de encanto, me abstenha dos abcessos diários,
E dos excessos dos silêncios que se engasgam em si mesmos, nas noites de largo escuro.

Há de se ter prece murmuriosa e olhos serenos.

Que tenha paredes mornas e plácidas, que seja rio
Receba meu corpo navegável, emoldure meu contorno,
Me desenhe sem culpas, e me ame aos pelos,
com a ausência exata dos pudores carnais.

Violável, no que se é permitido aos dentes de solto riso.

Onde se nade sem correntes, e a correnteza mansa,
cubra os olhos da criança que nina, ouvindo as lembranças das boas manhãs.

Que tenha telhado amarelo ameno, sem belicosas torres pontiagudas, que queira paz e bom juízo, disfarçado de bobagens doces.
Um ninho de quentura sóbria, sem tropeço ou embaraço,
De braço e abraços, de se colar a pele aberta,
Ao som ácido das nossas ranhuras, de dizer amor.

há de se ter lábios amalgamados, nas bençãos de um gozo.

Um lugar de portas largas e arestas pequenas
De se fugir das incertezas dos teus olhos de adeus.
Que me salve das quedas, que me ensinam maior e diferente que o voo
Que me faça pertencimento ao sangue
E me cubra num manto de águas azuis.

Julho 21

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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