Lu Genez – [“Porque há o direito ao grito”]

Lu Genez


“Porque há o direito ao grito”
Clarice Lispector

Grito, som penetrante, voluntário ou espontâneo, articulado ou não, emitido com força pela voz humana
Berro, brado.

Esse é destrave dos fatos,
A consequência dos atos,
do rompimento do cordão umbilical
Ao colapso do nascimento
Do corte profundo, em direção ao osso
Do exposto, das minhas carnes.
Do ultraje sobre o corpo
Da minha condenação, pelos párias do circo.

Até que voz ressoe em todos os cantos
Que o útero se contraia e menstrue
Que meu sangue, escorregadiço, impuro,
Indesejável, imundo,
Manche as paredes desses lugares,
A que não pertenço.
Esmoreço.

A voz, e parte de mim espalhada
Marcando os passos, do nada
O nada é branco
O nada basta.
Uma fala, um grito.
O direito das coisas.
Existo.

19 Ago 20

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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