Lu Genez – [Peso de pássaro morto em gaiola é nada]

Lu Genez


Peso de pássaro morto em gaiola é nada,
Pena, descaso de asas.
Diante da porta sempre fechada
A vida sucumbe nas esperas da sorte
Que a cigana leu na minha mão.

Quem dera fosse dia de viver diferente
As horas cantariam recitais nas auroras
Nenhuma flor morreria de secura
Nos jardins dos esquecidos.

A manhã em que não nasceu voz, nem feto
Foi silêncio de desertos
Sem vento a se levar os cheiros daqui
os ecos se partiram em pequenos cacos
Ficaram espalhados no chão em que pisei
cortes, contavam das ardeduras
De uma carne nua, crua e pequena
Desistente, penitente.

As pegadas apagadas pela água da chuva
Não mostram os lados das partidas
A ninguém interessam os caminhos.

Tudo é perdido em final de feira
A frase sequer tem ponto final.
Gaiolas vazias não precisam de chaves
Não há sonho a se guardar nelas
Quando tudo já se tem ido,
Voado longe.

Os pássaros seguem o sol.

25.Ago.20

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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