Lu Genez – [Permeável, sem nenhuma defesa bélica]

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Lu Genez


Permeável, sem nenhuma defesa bélica
Ao cabal do pelo, do corte, e da pele
sem que se houvesse uma hábil couraça, uma insígnia santa
Sobre os relevos do corpo, seus entornos e segredos.

A carcaça exposta, os ossos aparentes, e o sangue escorregando desavergonhado sobre os pés
Nada encoberto, nem as mentiras que faziam ilusões
Nem os falsos gestos monogâmicos, das bocas que mal se comem,
rituais de praxe, num domingo de sol de manhã.
Antes da colisão, da confissão e da eucaristia, pede-se perdão dos pecados.

Porosa é a carne, que sabe sobre gozo e indiferença.
Território nu, de cansaços e avarias, de medo e fome, de sonho e solidão
E o que se transpassa e fura os órgãos, mata-se lentamente amanhã, ao ruído do silêncio.

O passamento é reza, para um Deus surdo.

26.02.22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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