Lu Genez – [Perduram-se as plácidas complacências diante das cabeleiras louras]

Lu Genez


Perduram-se as plácidas complacências diante das cabeleiras louras e dos brilhantes olhos azuis,
Como salvo conduto ao paraíso lírico dos céus, de trepadas indecentes, inconsequentes e de forte odor carnal.
A elas, todos os pecados lhes serão permitidos, até que se tenham o arreganho cínico dos lábios devassos.

Como se todos os anjos tivessem o mesmo tom alvo de pele insuspeito, e carregassem nas asas, a inocência das meninas virgens,
A imaculada brancura cênica, de desprezo fatal, ao amarelado do resto das cores.
Enquanto o inferno, povoado de preto e vermelho e todas as suas adjacências
fazem jus aos degenerados e enganados de fé divina, das equidades, e justiças legais.
A esses, todos os pecados lhes serão cobrados, até que os leões e chacais regurgitem sobre seus ossos.

E que não se reste dúvida ao direito dos lugares à mesa, das madeixas claras e dos olhos de conveniências das bocas carnudas
É que entre o meio de suas pernas, todo o vício é santo, todo o gozo é líquido e branco.

Dance Salomé, dance…
Mostre seu ventre peçonhento e mamilos rosáceos
A cabeça de João, já pende no leito das madrugadas infinitas
E o sangue coagulado, faz borra cristalina, no fundo do tinto cálice triste,
Deixei-o morto, assim inerte, junto aos seus
Tua língua traz veneno e absinto.

27.Ago.21

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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