Lu Genez – [Os trilhos do trem que nada sabem]

Lu Genez


Os trilhos do trem que nada sabem
sobre os destinos dos condenados,
De se estar indo ou retornando de algo
desenham serpentes que escorrem sobre a terra árida
Lembram da minha marginalidade periférica
De todos os lugares onde não posso entrar.

São os homens de branco,
que ditam as regras da etiqueta
Em guardanapos de linho
Que não servem à boca.

Sou um corpo cheio, carregado dos seus despertencimentos
De nunca estar no centro de nada, de manter-me nas beiradas
Das estradas, da fala, de um precipício.

Daqui não posso fugir, sou um prisioneiro dos dias
Das horas que sempre correm demais
E que também não sabem de amanhã
Nem dos caminhos das linhas férreas.

A condenação dos pés,
Plantados nesse chão
De dedos amorfos e inservíveis
Que não suportam o peso da coluna
Ereta e arredia.

Se o corpo, não lhe é passageiro
Talvez os olhos, lhe sejam asas
As janelas estão todas abertas
Venta só.

Já faz tanto tempo, que é hoje.

06.Ago.20

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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