Lu Genez [Os bandidos foram catapultados ao patamar da glória]

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Lu Genez


Os bandidos foram catapultados ao patamar da glória, a rampa, ao pasto, a estrebaria, ao palanque, ao púlpito e ao paraíso, lhes conferiram as honras e os hinos, as mentiras bem ditas e as histórias deformadas.

Canonizaram o ladrão, o Papa e o Rei maldito. Perverteram os milagres e os roubos, em bençãos faraônicas, em salvo conduto, em passes ao palácio, em segredos indizíveis, em maravilhas do tapete vermelho.

As cuecas, as malas, as burras de dinheiro, vistas ao ar livre sem disfarces ocasionais, saltavam de mão em mão, enquanto os escravos se servindo do resto do capim de direito.

Gozaram explicitamente em praça pública, não importando com a maioridade estabelecida.
E as putas, beberam licores e absintos.

E os pobres caluniados, de inocente, nem o falo, escreveram discursos, enredos, notícias de última hora, músicas e sanhas eruditas ou eróticas ou pudicas ou devassas, pouco lhes dizem as falas, contanto que os ouvidos lhes sejam convenientes, coniventes e sujos.

Os bandidos foram catapultados aos alicerces do Olimpo, tornaram-se Deuses dessa terra, nos entregarão ao Inferno.

Aos inocentes, dai a eles, a lei! A danação, o purgatório, as tornozeleiras, o raio que o partam, pois estão no lado incorreto do muro.
As tetas estão aqui!

Os portões e as trancas, servem-se do fim.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

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