Lu Genez – [Odiava sempre, exceto nas vezes em que amava]

Lu Genez


Odiava sempre, exceto nas vezes em que amava
Nos Interstícios das ondas de salgado enlevo,
Nas segundas e terças, nos dias dos precipitados começos.
E amar, era por si só odioso, pois sua natureza era odiar
Se o contrário do que era, fosse o novo dono
Não seria o que sempre pretendeu ser
E seus olhos rudes, não mudariam a cor da pupila
E sua voz, permaneceria no eco, continuamente ouvida.

Eram monstros e abismos, todos negros, todos cheios de ódio, e não de amor
Do que se completa, até que se empanturre o corpo,
Até que expelido o cheiro do ódio, se tenha o ar contaminado.
Nele tudo consumido simplesmente, se morria de causas naturais, na próxima esquina
Não restando ao amor, nenhum indefeso cordel.

Seu ódio, era como um frio alimentado, queimando numa fogueira mediúnica,
Sobrevivendo ao dom do amor, existindo acima dele
Trazia ódio riscado a giz, como um deslize gráfico, um borrão maturado de tinta seca
Seu inferno vermelho, de dragões e demônios e todos os indistintos seres amaldiçoados,
Sentados a mesa do jantar, sob um lustre caleidoscópico delirante
Ao som ambiente de uma marcha fúnebre.

Depois da sombra, não se pode ser mais aquilo que era.
No deserto cabem lacunas, vazios, vãos e desassossego.
E toda a sorte de ódio, enquanto o amor não chega.

Jul 21

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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