Lu Genez – O Grito e a Carne

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Lu Genez


Recolhe-me ao leito das águas mornas, aos restos do naufrágio
Ao denso relento do sereno da noite, ao oco som da rima.

Recolhe-me os ossos e o cansaço, e todos os meus afluentes.
Desfaz-me, do despertencimento dos teus dedos,
No covarde segundo das desistências fatídicas.

Passamos da história, consumido o sal do suor das sílabas de despedidas, em que a cama separa o mundo
E os corpos não ardem, e o mudo se completa, e o vácuo surdo reverbera versos de adeus.

Na hora vazia, quando meus lábios estão secos e o abandono percorre as vértebras
Num alastro de frio, de descaso de pele, de finitude.
Sobra- me a memória da nudez escancarada,
Do coito descabido e dos dentes afoitos.

O gozo e o silêncio escorrendo por essas paredes,
Mancham as mãos.

23.01.22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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