Lu Genez [O Cadáver de 8 de Janeiro]

Compartilhe!

Lu Genez


Há um morto no caminho desta história, que não me deixa dormir, que não me deixa mentir, sonhar, blasfemar, esconder a verdade sob um tapete, que não me deixa silenciar.

Há um fantasma de desespero, de desperdício, de suicídio, de meretrício, de puta rampeira, de injustiça latente, de fim de feira.

Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac

O barulho do tombo, do tempo, do assombro, do corpo que cai sobre um assoalho, o barulho da voz, do que berra ao brado, do que soa alto, do que corta mais que a navalha, do que sangra e vem ao fim.

Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac

Dor fixa no peito, que pode variar de fraca a muito forte, ou sensação de compressão no peito que geralmente dura cerca de 30 minutos
Fadiga, dor, falta de ar, tontura, pele fria, desconforto, rigidez, náusea, vômito, indigestão, desconforto, palpitações,
Óbito

Mais do que um nome dado, uma abstração, a filiação, uma certidão de nascimento, alguém.
Um corpo doente, a liberação adiada, à espera do salvo conduto, a porta, uma toga cruel, os olhos do tirano.

Infeliz da terra que tem saudade da justiça.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários

Conteúdo Protegido. Cópia Proibida!