Lu Genez – [Ninguém está aflito]

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Lu Genez


Ninguém está aflito, todos seguem conformados
Nenhum grito ao final do corredor vazio,
Nenhum estardalhaço dos palhaços nas esquinas
Também as camas, surgem desabitadas, decapitadas, despidas
dos corpos deformados, frios e plastificados
em moldes catedráticos e ecumênicos, performáticos.
Os amantes já esqueceram do gozo, só olham aos espelhos.

Seguem na noite em seus travesseiros de espuma gótica, e penas de pavão faminto.
O delírio da moda, são as sandálias de plataforma abissais
Altas o suficiente, tanto quanto os arranha-céus
e os mausoléus construídos em pedras neolíticas.
Só as palafitas e os casebres tortos, não resistem as primeiras brisas da estação dos mormaços.
Jorram gente em todos os lados do mar
E as bocas, secas de beijo, mergulham no vazio das noites escuras.

O silêncio não comete erros, diz verdades em sussurros ensurdecedores.
A voz vibrou em notas de fim, não souber amanhecer em céu azul.

Junho 22

 

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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