Lu Genez – [Neste poema sujo, sem nexo]

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Lu Genez


Neste poema sujo, sem nexo, sem sexo, sem gozo, sem ápice de carnes e umidades
Pulsa um pulso, que sofre de antiguidades e ossos reumáticos.
Os especialistas dizem que é prudente se evitar arritmias, a melhor maneira de impedir a morte súbita ou os derrames causados pela doença
A quantidade normal de batimentos é de 50 a 90 batimentos por minuto, o que reza a lenda.

Um carro atravessa o sinal vermelho, enquanto o cachorro se preocupa em não ser atropelado
E, eu, quero o sêmen escorrendo dentro das putas, das moças ou das outras
Quero a fleuma do êxtase, quero a porra jorrada entre os dedos, lambidos por bocas ávidas daquelas que não me negam fogo
Quero queimar, arder, quero morrer nos trópicos e nos infernos
E nas zonas de meretrício, ou na primeira manhã de sol.

O coração é uma bomba, formada por 4 cavidades, duas no lado direito e duas no lado esquerdo, os átrios e o ventrículos
E esse verso incoerente, insano, sem propósito, destila sangue barato,
Que escorre lentamente sobre a ranhura.

Enquanto pulso, quero a pele rasgada pela unha das beatas, das ninfetas ou das desesperadas,
ou por cordões de cilicio amarrado as coxas dos pobres pecadores,
dos amantes das artes, da sodomia e das mordomias pagãs.
Na estória de um falo rijo, um rígido ditado entre os dentes.

É só uma poesia insana, que se debate, resiste e pulsa, antes do
seu ponto final.

10.Abril.22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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