Lu Genez [Nem sempre remendo-me a altura exata dos meridianos]

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Lu Genez


Nem sempre remendo-me a altura exata dos meridianos e equinócios de inverno, talvez me erro a alguns graus de distância da linha divisória, perco a hora, o almoço de família, pereço de gozos contínuos e abstratos, pereço de afagos e afetos, não sei das línguas e idiomas, nem dos dias que se sucedem ao calendário.

Nem sempre o caminho é certo, sigo as esquinas e os tropeços, sou peregrino de passos largos e largados nesse deserto contíguo, nesse morro sem fim, nesse abismo e inferno.

As memórias estão no sótão, em caixas abafadas de verdade, em cores amarelas, em histórias mal contadas, em mentiras disfarçadas de querer, talvez a embalagem sirva, na fita dourada, no arranjo montado, no script escrito, no que é dito e no anonimato.

Me encontro nessa poesia inacabada, onde os estrofes se misturam, contam mentiras de agosto, ao final de uma tarde de domingo, onde se acaba e começa, onde gira o mundo, no instante exato do pouso da ave , nas asas de uma borboleta.

Sempre é hoje de um hora qualquer.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

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