Lu Genez [Não sou o único no purgatório]

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Lu Genez


Não sou o único no purgatório esperando pelos tempos da expiação, lá estão todos, servidos inúteis ao banquete do rei,
meus amigos e inimigos e as almas santas com seus pecados diários e ordinários, sem absolvições em missas de domingo.

Não sou o único canibal nessa terra dotado de ávidos dentes caninos, estão todos sedentos, os abutres e as bestas, rasgando carnes, revirando lixo, se bastando das sobras e dos podres ossos quebrados. Aos ratos, as benesses da corte.

Se a manada corre rente ao cercado, deixam parte da pele agarrada ao farpado, um tanto de sangue, um cheiro de morte coagulara nas esperas. Cravam-se nas patas, uma ânsia de salvação, enquanto os nobres, assistem ao jogo em seus ricos camarotes vermelhos.

Não sou o único a pisar neste chão com os pés nus.
Brada o canto das aves, em lugar algum. Não há hino sagrado.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

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