Lu Genez [Não há nenhum abrigo além de mim]

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Lu Genez


Não há nenhum abrigo além de mim, do que é pele e me cobre, do meu nome e ninho, do que é o sobrenome e a cor dos olhos

O sangue que rege, a palavra primeira, o manto do verso, do poema obsceno, da língua que umedece o papel e os pelos

O que sou além de amanhã, já que o dia me consumiu as forças e o sossego, e carrego histórias e cantos, e nada há para se ressalvar na segunda feira

Não há derivativos, conjunções adversativas ou qualquer outro apelo inútil para se descrever o verso, nada além do que carrego, nenhuma medida paliativa a se estender entre os meridianos, só os fatos e os graus absolutos

O sonho, diz esperas e premonições, leva em si, os signos divinos, a alma, que plantada na terra desabrocha alguma espécie não catalogada, que tem pulso e pulsa, que não deseja razão de cor alguma.

Somente o viver necessário, amanhece no primeiro dia, depois de hoje.

Não há abrigo, não há escuro, não há subterfúgios ou frestas que escapem da verdade, do que leva e Sou.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

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