Lu Genez [Não diga que a noite é escura]

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Lu Genez


Não diga que a noite é escura, não blasfeme impiedosas imperícias cênicas, estranho é o dia adjacente com teu silêncio estrondoso e lábios secos. Estranha é a nódoa que se estende entre as bordas de um lençol sem gozo de amante.

Suas atividades custam me um legado, um canto insípido, um tanto de solidão, um vácuo que atravessa paredes, chega aos cômodos vizinhos, as casas ao lado, a rua e a cidade cinza.

Cercada dos teus frios dedos de indiferença, alerta-me a complacência dos convidados, a rigidez das regras, a conveniência diante dos talheres, enquanto a palavra engasga e a teia das mentiras se serve ao prato de sobremesa.

Não diga que a noite é escura, enquanto meus olhos buscam a porta e o amanhã, enquanto piso na grama molhada, enquanto se acendem as lâmpadas da estrada, enquanto me espero nas esquinas e em outras bocas.

Não me tire o breu e as estrelas.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

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