Lu Genez – [Não cabe aos lobos]

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Lu Genez


Não cabe aos lobos, desassistir a noite em seus naufrágios obscenos de escuridão
Que a tudo toma e remete e regurgita, junto com as salivas e os restos de nada.

Deixe que trepe, coma, beba e se satisfaça com suas bucólicas decências de coito
Deixe que simplesmente amanheça, sem as interrupções dos pesadelos dos homens na guerra.

A bocarra das góticas gárgulas cegas, que seguem a espreita,
Pousadas no alto de arruinados prédios antigos,
Farejam o cio da terra, e o sêmen seco entre as pernas dos adultos adúlteros.
Deixe que simplesmente aconteça, o encontro das peles dos amantes.

Na cidade das esquinas malditas, onde se moram os vícios, os mortos e os vivos
Todos os pecados se alimentam dos seus infernos.

No circo exótico dos desejos de gozo
Todas as carnes suarentas estão nuas,
Todos os sexos deflorados e fundidos,
Encobertos pela fome da noite.

Os lobos desaguam suas dores na lua.

01.01.22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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