Lu Genez – [Nada acontece, nem um balanço]

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Lu Genez


Nada acontece, nem um balanço, nem um vento, nessa terra que o diabo há de comer, 
Que se engasgue com o pó, que lhe arranhe a garganta, que sangre com os espinhos
Não me importo com demônios e santos prometidos.
 
Deus, já nos esqueceu aos tempos, á míngua, ao azar dos dias 
Ele espera pelos nossos ossos, pelo pecado da descrença, 
abortada prematura, junto ao feto que não soube vingar no seu casulo
 
Aqui, até o ventre é seco de luas, não desagua em lençóis de barro.
e aos vermes, o que se resta da dura carne, da pele seca, e dos nossos desenganos.
A fé da chuva e a dos homens de pés crus, não servem para as promessas de paraíso.
 
Morri primeiro, antes mesmo do nascer.
 
27.02.22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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