Lu Genez – [Lembranças de um passado remoto de mil eras antes]

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Lu Genez


Lembranças de um passado remoto de mil eras antes
Que o frio da pele insiste em se levar memórias
Como um traço genético, hereditário
Concebido na umidade dos sexos.
A carícia indelével sobre os lábios, que queima e afaga, que diz coisas no escuro.

Algo, qualquer coisa indefinida
Aguda, agulha e efêmera
A passear pelos contornos, não como um arrepio de desejo
Ou a corrente elétrica de um gozo, um vento, um gemido.

De mobilidade suspeita, um vácuo, um vazio
Um dique estrutural, uma barragem invisível
Que contém a água e o lodo, o riso e o encharque,
O nada e o precipício, o fim e o amanhã.

Algo, qualquer coisa indefinida
Grão e pedra
Que enche e arrebenta, que escorre sem perceber
Vaza e mancha, que cheira a desespero
Se mistura ao mar e aos sussurros da noite.

Que sequer tem nome e te carrega o nome
O avesso do que se fala, o que gruda ao osso
Invade o corpo, se esconde nas frestas.

16.03.22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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