Lu Genez – [Já posso amanhecer o dia]

Lu Genez


Já posso amanhecer o dia
Ganhei um pedaço de pão
Fui mais do que a reza injustificável
Blasfemando sob um céu de ocasos vicinais.

Meus cansaços, delírio e silêncio
Meu abstrato concreto
Pintado na parede surda
Aos olhos do insignificante.
A inconveniência dos ossos
Deitados nesse chão de avarezas.

Pisar a terra com pés descalços
Apurar os sentidos do olfato,
Do tato de uma pele machucada,
Que já sangrou por todos os poros aparentes.
Um dia a mais também é tempo ido.

Dizer, que sobrevivi ao ontem
Ou a qualquer matemática que tenta me apontar sobre a exatidão dos restos
Alguns deles, são escombros de uma outra vida
Cacos inservíveis da estória.
A que não mais me serve
A que não tenho que engolir,
Como os remédios que seguem ao trato intestinal,
De outros efeitos colaterais.

O cinza também é cor a se apreciar
De neutralidade e palidez
Qualquer que lhe seja a face,
Sobre o inaudito viver.

Alguns sussurros dizem tanto

22.Jul.20

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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