Lu Genez – [Habita-me a alma essa senhora Sombra]

Lu Genez


Habita-me a alma essa senhora Sombra, dama enigmática de face pálida, lábios carnudos, longos braços frios, dedos e unhas finas, um arranhar de marcas escuras, sangrentas e ordinárias, tal como a fé que me cobre.

Minha pele lacerada, sofre ao vento do seu inverno, do seu inferno.

Conta-me promessas sedutoras sobre o fim de todas as esperas, dos meus delírios, dos meus vazios, dos meus martírios, da minha vida. Negra doce escuridão de todas as vontades.

Lambe-me o ouvido, diz juras de maldito, tenta-me, entre sussurros orgásmicos e histéricos levar o corpo, me come a alma com afiados dentes.

Trás nos olhos, o escudo da morte. O brasão reluzente do trono de Hades.

A cortesã pagã de língua quente, de quem a fornicação não se resiste, entrego-me sedento aos seus caprichos.

A possessão lenta e delirante dos meus ossos, dos músculos, das veias saltadas, da carne desejosa. Escorrega sobre meu corpo como uma serpente, sinuosa, insinuante, deliriosa, amante.

Submeto minha vertente rija ao seu domínio, o falo umedecido quer jorrar quente, antes da vez última, do último cigarro, da última dose, do último veneno.

Ilegítimo é o medo que assombra a parede, já que danço com a com sombra, nessa escuridão.

A voz sequer sabe da oração, não há livramento algum para esse perjúrio, só a noite que abocanha, todos os finais.

Pecados confessados entre o escorrido do gozo, gemidos, o flerte libidinoso, o abraço, o adocicado do meu adeus nos lábios dessa senhora nua. Vermelho, fatal, final.

27.Ago.19

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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