Lu Genez – [Há um agouro negro que vaga pelo silêncio dos tetos]

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Lu Genez


Há um agouro negro que vaga pelo silêncio dos tetos
Uma enfermidade pastosa, grudada ao reboco da parede
como uma demão de tinta incapaz de solturas,
sem que se tenha qualquer forma de desvencilhamento.

Somente um penoso pesadelo, levado ao cabo do fundo de uma noite sem fim
Sem que o travesseiro nos acolha o sono, sem que a mobília nos aquiete a alma.

Os cantos e segredos, degredos e flagelos, as vorazes vozes dos ossos brancos
Somente eles, sobrevivem às histórias do tempo.
Ao todo resto, os vermes e seus dentes.

Há um silêncio escuro que vaga entre as frestas do breu
Um arcaico agouro de nome ecumênico, um canto de medo
Que escorre e lateja nesse chão, de confessa reza e solidão.

Somente os espelhos, conhecem a covardia dos homens.

13.02.22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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