Lu Genez – [Há tanta gente nos arredores daqui]

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Lu Genez


Há tanta gente nos arredores daqui,
Voz, fala, enganação, enredo, verbo, danação
E todas as mentiras que as bocas podem contar
Entre a esquina e os espelhos,
Entre o paraíso e a terra dos infernos
Entre o verso e o silêncio da palavra amor.

Até que as verdades murchem, se tornem obsoletos objetos desprezíveis
Até que morram de esquecimento e pó.
E o gozo escorra entre as pernas das meninas virgens.
E se reze a praga, e as flores feneçam, e os escalpos sejam estendidos no varal.

A selvageria das feras anêmicas, rasgando as carnes,
Disputando as vísceras expostas, chupando o tutano dos ossos
Só para que se tenham a barriga cheia de algo, de vermes e das lembranças que se deitam junto aos mortos,
E o sol, queimando o chão e os nossos pés,
É quando tudo vira um grande fatídico fim.

No picadeiro do mundo os pecados dançam solto
Não há silêncio vazio
O nu não se esconde em incômodos escuros.
Nessa poesia que não tem propósito.

Maio 22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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