Lu Genez – [Fria tarde em que o corpo encolhe]

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Lu Genez


“Fria tarde
Em que o corpo encolhe,
Ao se lembrar
Que é resto.”
Rodrigo Dias


O descaso vive das memórias, das relíquias de dias de céu azul
O corpo usado não mais acende a pele, não rescende a cio.
O sol não queima e nem arde mais, os desejos dos pelos.

Éramos delírio, delito cometido nas primeiras horas da manhã
O obsceno despertar das carnes dos animais de sangue vermelho
Nos prelúdios do gozo, nos derramamentos de sêmen.

A cama e as paredes testemunhas do caso,
no acaso das posições de monta
Exóticas conjunções carnais.

Éramos bocas, mãos, dedos, genitálias
Mamilos entre os dentes alimentando fúria, feras, tesão e fome.

A nua carne luxuriosa, exposta, disposta aos exageros e orgias da tara.
No coito consumado, o silêncio dos olhos e prece.

Éramos algo,
Hoje somos fim.
O descaso vive de adeus,
No frio da tarde de um corpo.

27.01.22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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