Lu Genez – [Foi decidido que as horas são agora]

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Lu Genez


Foi decidido que as horas são agora, que se saia do quarto, do armário, do ambíguo, do umbigo da terra, que o quadrado é um sólido perfeito, e que os dedos são prolongamentos genéticos de gozo uterino.

Determinado que as voltas no círculo são redondas, que não há fim nem começo, que tudo acaba e recomeça em algum ponto do caminho, que algumas palavras ainda mantém o seu sinal ortográfico, e que os dicionários trazem palavras de desuso coloquial.

Imperativo é o silêncio nas madrugadas de frio, em que o corpo desnudo, procura outro corpo desnudo para depois se bendizer em gemidos de coito, e as leis universais da aritmética devem ser regiamente obedecidas, até o seu ponto final.

Estabelecido a distância entre as noites e manhãs, entre as curvas e seus raios, entre o vácuo e o nexo, e que o triângulo da hipotenusa tem pontas agudas demais.

Fixado o centro dos abalos sísmicos de grande magnitude, enquanto meus lábios se despedem dos seus, e que não haverá mais manhãs suculentas e de encharque, enquanto a chuva é só mais uma previsão pluvial de milímetros cúbicos.

Incerto é o instante seguinte, e a rima desse verso desconexo, indefinido, indeterminado,
indiferente ao fogo das carnes que jazem sobre alguma cama qualquer.

21/08/22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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