Lu Genez – [Eu sentia nada]

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Lu Genez


Eu sentia nada. Só as avarias, o medo e nada.
Absolutamente nada
Nem o frio, o gordo do ventre, a boca seca
Nem a saudade, um fiapo de vento, nem saliva
Nem um gozo entre as pernas, a desafiar a inércia.
Redondamente nada

Como ser oco, sendo só as bordas, as beiradas e a pele?
Se no limiar da luz, a escuridão sempre traz frio e o incerto
Se o atrito, conduz ao eriçamento, e os mamilos se despertam e se perdem sem a boca.

Eu sentia nada, mas, sentir nada, é sentir alguma coisa
E esse algo enrolado, embrulhado em papel pardo, esconde rasgos e entranhas
Se encobre de alguém, se protege dos olhos de mim.

Enquanto esse nada toma corpo, se avoluma e engasga na garganta.
Eu, engulo nada
Decididamente nada.

Nem o verso podre,
Nem essa rima bastarda.

Nada mais que nada
E tudo escurece e finda
E tudo acaba e não tarda

Até o fim de algo
Até o fim do nada.

Maio 22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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