Lu Genez [Eu li centelhas, cartas anônimas]

Compartilhe!

Lu Genez


Eu li centelhas, cartas anônimas, poemas abstratos, a nódoa que se formava acima das palavras, eu li ontem, e todos os outros dias iguais. Li ausências, amargo, a pele fria, o desassossego da cama, o cio despertencido da carne.

tinha a merda daquele abandono entalado na garganta, com gosto de esperas , um volume no ventre, um silêncio ruidoso que se espalhava desenfreadamente no- sobre meu corpo . Tinha desejos e fome, tinha destemperos e memórias. Amanhã e vento

Com que silêncio eu prosseguiria sem o nome, será que me bastariam os versos, a loucura escancarada, o desvario das noites e o inflamado da ferida que pulsa,
pulsa,
pulsa,
se faz febre e arrebenta, traz visgos de sangue, e todos os seus incômodos.

Como viveria aberta , desimportante e sem espelhos.

Cega.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora e Livre Pensadora.

0 0 Votos
Avaliação do Artigo
Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários