Lu Genez – [Estávamos tão acostumados ao áspero]

Lu Genez


Estávamos tão acostumados ao áspero, a terra árida, que nenhum outro arranho pesaria sobre a pele
Não eram essas as penitências que nos matariam as fomes,
desde o ventre éramos sobreviventes aos dias de descaso e as mentiras dos telejornais.

Nem sempre o amor diz verdades quando se jorra num corpo.

Seríamos outros ventos, precipícios, tormentas e arremedos,
Teríamos outros medos e cerimônias, e os fantasmas saberiam de nós,
Os nomes, os olhos a cor dos ossos.
Se as horas carregassem lentidão, se o êxtase se prolongasse por mais um novo segundo
E tivéssemos entre as pernas, outras vidas, signos e significados,
Que não só o prazer, o saber do coito, o escorrimento de nossos delírios.

Se o sol ficasse, se o sal fosse montanha, e o suor tivesse o gosto das nascentes.
Talvez o que se arranhasse, não tivesse pontas, fosse ameno, não doesse adeus.
Éramos.

25/08/22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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