Lu Genez – [Esta é uma manhã que meu pai não viveu]

Lu Genez


Esta é uma manhã que meu pai não viveu, ultrapassei a ele, neste dia fatídico, em seus anos e desenganos, em todas as desilusões e desculpas da vida, ao que se leva ao cabo, o que se carrega ao osso, o que pulsa e deliria sobre um amontoado de coisas, sobre o que é banal e carnal, sobre o que sussurra e geme.

A meu pai, dou-lhe as graças e as desgraças do amor, o que foi dito em praga e reza, o castelo de areia e seu exército jacobino, a fé dos crentes homens santos, enquanto blasfemo a falta, enquanto lido com a sanha e os sonhos, enquanto o caminho é incerto, e eu, que não tenho bússola, sigo sem mapas e desenhos, sigo sozinho.

E eu, filho dele, a quem descendo e levo o nome, apaguei pegadas, desescrevi versos e parágrafos, falei de ontem e dos naufrágios, cantei adeus em uma melodia triste, sangrei nas esquinas um verbo qualquer, vivo a sina de viver mais que uma manhã de meu Pai.

No frio de hoje, me ausento.

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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Barata
Administrador
29/03/2024 23:31

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