Lu Genez – [Esse poema inconcluso]

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Lu Genez


Esse poema inconcluso sabe estar perdido entre a coerência mórbida dos dias de domingo,
carrega no ventre um diagnóstico fatal
Um apanhado de letras sem nexo, sem sexo copulado
Um aborto sistêmico, permitido,
já definido pelas boas regras da etiqueta.

Percebe-se que o sangue mancha de fracasso
Qualquer tentativa do verso em existir além daqui.
Definhará entre as folhas insensíveis de um caderno qualquer
Sem olhos de alimento, secam-se as veias do cordão umbilical.

Matam mais que as paredes brancas,
Invioláveis, incomunicáveis, inservíveis.
Lisas, estéreis, assépticas, apáticas.
Sem bocas móveis, sem dentes de brilho,
Sem adereço aos dedos, inúteis.

Acabam em cantos sem propósito, incômodos e obrigatórios
Elas renegam o contato.
Avesso ao espasmo solitário do poeta
Sem nada dos paralelos equidistantes
A poesia morre liquefeita, anestesiada, surda.
Na data de hoje.

13.Set.20

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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