Lu Genez [Essas casas que já abrigaram tanta vida]

Compartilhe!

Lu Genez


Essas casas que já abrigaram tanta vida, jazem vazias de olhos, de epitáfios de gozo, de murmúrios e silêncios em noites santas,

Queimam-se as paredes a cal, como se pudessem as frestas serem fechadas, como se o desassossego pudesse sumir ao passe de uma mágica, como se a história morresse ao tom da última nota, no som de uma borracha velha, e a tinta nova, derramasse um novo mistério.

Não há papel virgem, não há semáforo sem as cores de um vermelho, não há sangue sem corte, não há vida, sem a morte e as mortalhas.

O sereno ainda molha esse chão, meus pés estão nus, sinto frio, e um desejo de pecado entre as pernas.

O vento afaga a carne
O silêncio mora nos cantos
Enquanto as portas carregam fim
As janelas contam de nós

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários

Conteúdo Protegido. Cópia Proibida!