Lu Genez – [Escrevo qualquer traço]

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Lu Genez


Escrevo qualquer traço
Só pra me lembrar do engasgo dos dedos,
Dizer que ainda vivo.
Não sei o quanto o papel mais suporta.
Um poema, uma carta ou a justificativa barata para mais um suicídio ridículo.
Se pelo menos, o céu estivesse azul
Minha casa fosse térrea
Tentaria esconder meu desassossego
Debaixo do tapete da sala.
Trancaria o monstro no armário,
Esconderia o espelho.

É difícil viver o desajuste das horas
A inadequação estendida, entre uma madrugada e outra.
Os corredores daqui, estão nus
Nenhuma foto, nenhuma ligadura uterina.

A tinta vermelha,
Meu sangue escorrendo, lentamente nessas linhas
São tantas as coisas perdidas.
Não tenho asas, nem uma roupa de herói.
No 15º andar, a cidade é pequena
O vento, faz dançar os vultos na janela.

Não é do corpo vazio, que me desespero
É o estar cheio de tudo.
O entardecer sufoca os sentidos
Já pressinto a angústia de mais uma noite
Todas as falas da parede com estigmas de adeus.
Talvez, o papel ainda me salve,
Escolha falar de amor.

Jul 2019

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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