Lu Genez – [Escrevo confissões de pele]

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Lu Genez


Escrevo confissões de pele, útero e cicatrizes,
com a mesma velha úmida petulância , que me valho das indecências das mentiras
E tudo se cabe no poema indigesto, no papel tolo, no bolo de massa pronta,
Cuja receita é de desconhecida procedência.

Na boca do bom gourmet, as papilas se assanham diante dos paladares de um cio.

Do verso difuso, incoerente, sem nexo, inexato
Nascem os sons de um silêncio, as notas de rodapé, e tudo que posso contar sobre amanhã
Sem que me roubem os olhos, o gozo e o medo
Sem que me rompam as partes, as trompas e os ossos
Sem que me preencham a carne dos meios.

Que se permaneça a tinta e seus estremecimentos.

Do que falo, calo e se permanece
Das histórias, inventos e refinamentos
Das oferendas do sexo e dos lábios
Do que habita em mim,
Tudo é verbo.

Só a morte é verdade.

27.02.22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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