Lu Genez – [Eram amores póstumos]

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Lu Genez


Eram amores póstumos, aqueles que jaziam sobre o descoberto da cama
Sem dar calor aos colchões, sem indecências de jorro,
Nem bálsamos, nem gotas escorregadias, nem línguas de se engolir os líquidos brancos.

Já não sabiam sobre as delícias de gozar um sobre o outro
Nenhum anteparo legal, que se impedisse os finais determinados
Tal qual o rito e o verso, a chuva e os pontos cardeais.

As peles desnudas de desejo e de quereres, suavam frios da despedida.
Nem os pelos se dobravam em misturas simbióticas,
Nem as genitálias se amavam com fome, fúria e desassossegos de coito.

Eram homens inventados, que um dia queimaram seus olhos
Nas labaredas do que é devasso e carnal.
Agora distantes, de corpo desértico, não dão flores.

A areia se estende fina. Finda.

Junho 22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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