Lu Genez [Era só um equivocado mistério]

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Lu Genez


Era só um equivocado mistério, uma história sem precedentes, um final desalinhado enquanto o trem partia, enquanto o trilho era o outro e a passagem remetia a um novo itinerário, e eu perdida, sem saber ao certo o nome, a data de nascimento, a conjunção dos astros na hora exata, sem saber se parto de cócoras ou cesárea, sem saber se os olhos serão amendoados, ou trarão algum segredo sobressalente, uma asa de xícara, apêndice, uma caso extra conjugal, como um corpo novo na minha cama, uma pele que desconheço o cheiro, um mapa de tesouro, um baú de ossos, e todas as nossas memórias infernais, até que se houvesse a absolvição dos pecados, até que a carne que foi sua, estivesse liberta dos teus pelos, até que o gosto da língua tivesse um novo ácido, e o sonífero me entregasse a Morfeu, e aos mestres ilusionistas e as águas sem fim, e eu compusesse partituras, fizesse mágicas e aquarelas, cantasse o hino, fosse verbo, rima , poesia, palavra não dita, pesadelo, contasse estrelas, sonhos, manhãs dissecasse obituários, e o fim da frase estivesse próximo e o ponto e o alvo das moscas, e todo esse confinamento, esse quarto escuro, esses cantos pontiagudos, essas farpas, essas migalhas, as maledicências dos vizinhos, as obscenidades do coito, do ato falho, do estrangulamento, e se fechassem os dedos, as portas, os dias de sol e a escuridão.
É só se ventasse brisa
Sem continuidades

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora e Livre Pensadora.

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