Lu Genez [Enquanto o vão silenciosamente se alastra como erva daninha]

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Lu Genez


Enquanto o vão silenciosamente se alastra como erva daninha, como dano e deságüe, como o gozo entre as pernas, como um rebuliço no silêncio, um atentado as cinco, como um rio e um trecho , como um fim derradeiro, um atentado papal, um nascimento precoce, uma morte aparente, um verso e uma poesia abortada, que é sangue é fato, que é fuligem e sujeira, ruído, eco, um som pontiagudo, que rasga o caso, que nasce ao léu, prematuro e desprotegido, nu e descalço, roto e trapo, órfão e oferenda.

Enquanto o traço silenciosamente escorrega como risco, como signo e desígnio, como nome e árvore, uma ancestralidade dita, uma bula a ser seguida, um preceito divino, uma história escrita, o ponto final, o hiato entre as datas, uma melodia sem acordes raros, um desfeito sem consequências, um útero oco, um dissipado de nuvens no deserto de nossas frontes.

Enquanto o hoje desaba na noite. E amanhã traz o incerto, carrego bobagens e sangue.
Coágulo. Menstruo. Renasço anônimo, ao meio do dia, de uma hora qualquer. Sigo descalço. As pegadas e os pés não dizem nada.

Acabo caindo no papel. Encenando a cena. Contando mentiras ao som do silêncio. Negando-me ao fim.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

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