Lu Genez – [Em manhas frias]

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Lu Genez


Em manhas frias, depois de noites mal dormidas, elas sempre aparecem,
As brotoejas malditas.
Uma sarna estilhaçada
Pequenas manchas de sangue
Aumentam o peso do meu cansaço.
Pra me fazer lembrar de todas as coisas do universo
As da superfície, as desimportantes e os meus gritos.

ecos engasgados de silêncio.
Vão salpicando a carne,
Um cancro em processo de metástase
Tomando o corpo e a alma pra si.
Se apoderando da mente.
Estrelas espalhadas na escuridão.
Até que só isso realmente importe
A pele vermelha a ardência a coceira,
A ferida
E, toda a minha insignificância.

Já perdida, sem sono sem sonho
Do que interessa o olhar do olho
A pilha do relógio que já não marca hora
Sequer levei meus exames ao médico
E, se o diagnóstico for terminal?
Nenhum lábio me tocará mais um beijo.

Acabarei meus dias assim,
De sina amaldiçoada
Com brotoejas infernais
Uma praga dos Deuses pagãos
Que me roubaram as palavras
De um pensamento moribundo,
Poeta morto, sem rima sem sorte
A espera do alívio de um momento de fulgência
Da pomada anestésica
Que me deixe sobreviver
Nessa manhã fria
De velhos ossos doloridos, pútridos

17\05\19

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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