Lu Genez – [É só um medo]

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Lu Genez


É só um medo, um cancro invisível que me come a carne
Vai correndo os meus dias.
Cresce lentamente, a cada piscar de olhos
Se alimenta dos ossos, do meu sangue vermelho, da minha sina de fim.
Se alimenta de mim, do meu cheiro, do meu suor pestilento.
Não sei mais rezar, nem pedir perdão.

É só um monstro, um algo espalhado sobre a pele
A epiderme leprosa, a espreitar-me à noite
Velar o pesadelo de hoje, cuidar para que eu sobreviva.
Para me encontrar-me amanhã nos seus agouros.
Não sei mais dormir, nem sonhar.
Tenho medo do espelho.

É só um fantasma, uma voz que me fala ao ouvido
Diz desvarios, me condena ao martírio,
Ao delírio, a esquizofrenia.
A correr sem fim, em busca de uma porta
De uma luz qualquer.
A saída desse labirinto.
Não sei mais ir, nem andar.

É só um caos, um escuro letal
Um desespero abafado
Um grito de socorro,
um eco, um oco,
Um vazio de tudo.
Uma parede, um concreto,
Um inseto, uma barata.
Um triste, esmagamento.

20.Ago.19

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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