Lu Genez [E não tomamos cuidado]

Compartilhe!

Lu Genez


E não tomamos cuidado, falamos precipícios, precipitações, contamos silêncios, números, atestados, dissemos nomes inaudíveis, narramos mentiras e manifestos dissecamos alfabetos, escrevemos as cartas, soletramos palavras desnecessárias, enquanto a chuva caía, enquanto o asfalto esfriava, enquanto a bendita terra molhada, dizia sobre os aromas inéditos, desprendia o cheiro dos mortos e das rosas, enquanto gemia um amante, e transformávamos- nos em pedras colossais, em relíquias e fósseis, em lábios secos, em peles infames , em cheiros malditos, em inferno.

Fomos premeditados, precipitados, caímos no abandono da noite escura, fugimos do espelho, ignorando as vozes e os sons das gaitas e das harpas abençoadas, enquanto o semen escorria lentamente entre as pernas, enquanto se queimava a carne santa enquanto o pecado confessado, e a hóstia dada. Dissemos blasfêmias e verdades incontestáveis. Fomos anjos e demônios, sob a mesa posta, e os talheres de metal nobre, descansavam em dedos de insuficiências.

Perdemos-nos nas esquinas de um lugar qualquer, ignóbil, intolerante, desprezível, esquecido no vão dos dias, enquanto se nasce, morre e mata, enquanto se é berlinda e anunciação, enquanto o gozo é lembrança, enquanto a porta se fecha e se enterra um história amarela, tal qual a chave e a fotografia antiga, tal qual a nota errada e a poesia inacabada, tal qual um fim é um ponto.

Nascemos nus
Desconhecemos as estrelas

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

Assinar
Notificar:
guest

0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver Todos os Comentários

Conteúdo Protegido. Cópia Proibida!