Lu Genez [É difícil se ignorar um cadáver]

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Lu Genez


É difícil se ignorar um cadáver, mesmo que lhes limpem as partes pudendas, que lhe borrifem exóticos perfumes, mesmo que lhe deem banhos de sais e lhes mumifiquem as carnes, seus olhos fechados saltarão dos arranha-céus em direção aos nobres precipícios.

Não se escondem ossos tão facilmente, há de se deixar alguma pista, algum cheiro inconveniente, algum resto de saliva sobre o chão encardido, onde o sangue reclama a sua voz.

Os tapetes escondem podres pobres mentiras tortas, que escorregadias se juntam aos vãos, são as saliências que se sobressaltam nas tardes de quinta, diante das câmeras de um telejornal.

Não se esconde um corpo, que sobre o outro, roga sede e fome, declama verdades funestas, corre de sobressalto em direção a um mar, devolvido à praia, tem nome de alguém.

Não se perde o verso, o sobrenome, mesmo que sepultada a poesia.

Lu Genez, Curitiba, é poeta escritora…

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