Lu Genez – [Dia de sol morto]

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Lu Genez


Dia de sol morto
Que nem o vento,
Se dava na comedura das esquinas.
Todas as verdades suspensas na varanda
E para lá se dirigiam os olhos tortos
Dos grandes miseráveis das casas amarelas
De suas janelas vazias, a língua vadia
Vendia o ultraje das pernas.

O amor é por demais obsceno
No meio dia,
Que se caiba somente, nas noites de oferenda.

Já diziam as bocas interditas,
Impuras, nas suas lambidas de carne
Qual o senso do desejo que te move,
Entre as pernas dissolutas,
Senão, o de arrancar pedaços da pele
Sob as unhas, de um resquício de amor.

Preparo meu corpo e aroma
Ao teu vício, ao teu verso lírico, fálico,
Sobre o eu derramado.

Que se brade aos ares,
Os gemidos dos genitais
Os urros de gozo explodido
Quando o amor é maior que a cama,
E o mundo, se refaz depois de tudo,
Do beijo de línguas dos amantes
Do entrelaçado dos corpos
Do amontoado animal.

Em dia de sol morto
A vida lateja inteira.

18.Ago.20

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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