Lu Genez – [Criaturas débeis, selvagens e imbecis]

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Lu Genez


Criaturas débeis, selvagens e imbecis, matam-se umas às outras indistintamente,
Desde o nascer ao pôr do sol, em estações de vento e esquis, chuva, e nos interstícios de inverno.
Não lhes importam a ocasião, dia santo, ou o tempo de resguardo das parturientes.
Nunca se encontram crônicas de mortes anunciadas, quando delas, se fazem o ofício.

Nasceram meninas e meninos em quantidades iguais, a vida garantirá o peso de suas sinas
Aos dias de sorte e azar, ao encontro com o profeta, ao batismo, para não se acabar pagão.
Cordões umbilicais tem data programada de corte.

Talvez lhe faltem palavras gordas nas bocas, ou um desejo desesperado por cio,
Carregam a morte na saliva, degustam-na, como uma ambrosia, amor, ou o gozo obsceno entre dois animais de sangue vermelho.
Matam-se pelo prazer ou pelas desculpas de conveniência.

Canibais saem as ruas, em dias de céu aberto
Antes que a terra lhe coma as carnes
Apontam seus dentes afiados, sobre outros ossos.

Maio 22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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