Lu Genez – [Confundo- me com os dias]

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Lu Genez


Confundo- me com os dias e, no arrastado das horas
Num afogado delirante de sentidos.
a plena redundância de mais uma noite insone.
São os gritos de dentro, que não me deixam dormir.
Prolongam a piada torpe, de que existo.

Ora vago o olhar sobre o instante debruçado, num maço de cigarros
Ora, sobre um corpo, um copo, uma seringa, alguns entorpecentes.
o silencio de fora absoluto, reinante, agonizante
Um pensamento suicida, na janela.

no desespero da derme exposta,
Onde tudo é pedra, arranha, machuca.
nessa profusão explodida, incontida
Me embriago.
Vou bebendo-me amargo,
Fel, bile, o sangue que vaza da carne cortada,
Crua, fétida, dada às moscas.
Até que a gota última,
me aniquila.
Fuzila o verbo.
Sangro.
Somente a febre, é capaz de me manter quente.

Onde viver, é só o executado dos dias,
pragmático, solene, jocoso.
Sou o alvo preciso da navalha do algoz
Sem a margem ao lado,
Um salvo-conduto.
Sem a compaixão do olho,
Estou nu.
Ninguém ouve o choro da lágrima,
Ninguém se importa, se amanheço.

01\Maio\18

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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