Lu Genez – [Como se não me bastassem as inconveniências]

Lu Genez


Como se não me bastassem as inconveniências sedimentares das rochas de calcário,
Causando turbulências de sismo apocalíptico,
Fincadas no chão da sala de jantar
Remexendo o chão dos nossos medos,
Ainda tínhamos nós, dois restos de alguém,
frente a frente.
E, comidas coloridas, e olhos opacos.

uma decoração surrealista, indesejosa, jocosa,
Só para me lembrar das características causais de um final de domingo,
E da nossa apatia de coro generalizado.

Meu pulso mudo, sequer apresenta uma nota dissonante,
É que ainda carrego no corpo, uma dose de veneno,
o cheiro úmido e quente do teu cio.

Duas pedras pontudas, de causar cortes carnais,
A personificação da raça de quem nos tornamos
Tal e qual, dois seres frios, amorfos, irremediavelmente calados e brutalmente distantes.

Já nos havíamos destruído irremediavelmente, de todas as maneiras possíveis e existentes, antes mesmo, da sobremesa.

Desmoronamentos acontecem sempre, quando menos se percebe o chão.

17.Jul.21

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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