Lu Genez – [Como pode esse chão parecer igual]

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Lu Genez


Como pode esse chão parecer igual, se na terra de meu pai, se plantou semente estranha
E nenhum fruto parido, tem sabor doce de algodão,
E o que ali verte, não me reconhece o nome ou o sangue.
E somos desconhecidos hoje, e o seremos amanhã.

Da casa onde nasci, não se restam mais paredes, entranhas, nem pés de fruta do conde,
Nem fatos antigos, nem pó, nem a reza de minha mãe
As bençãos se perderam em noites insones e em cada pedaço de caminho.

Se todos os que conheço já morreram de mal inventado ou havido
E deles sequer tenho pegadas, segredos ou fotos dos esquecimentos.
Só o incômodo da voz de um tempo de cordões umbilicais

Não há canto para se largar esperas e saudades
É de dia domingo, de mesa e altares.

Onde se perdeu a memória, senão no desperdício da vida
Estou nu, sem pés e nem me sei chamar
Deitem-me em lugar de lua nova, onde se tenha vento e sal
Onde o riacho me tenha margem e me confunda as águas
E as nuvens me façam sombras aos olhos de um final.

15 Jul 22

Lu Genez, Curitiba, PR, é poeta escritora, e Livre Pensadora.

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Dinho Ferrarezi
Dinho Ferrarezi
19/03/2024 0:24

Poderia virar música, uma bela música!

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